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Exposiçao Fotográfica - Cotidianos De Uma Cidade Planejada

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DOCUMENTE SIMILARE

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Memória da Obra

 

Exposiçao Fotográfica


Cotidianos De
Uma Cidade Planejada

II – Resumo

A exposiçao fotográfica “Cotidianos de Uma Cidade Planejada” trabalha um modo particular de fotografar Brasília. Ao fotografar a cidade explorando preferencialmente angulos abertos, é proposto a realizaçao de um conjunto de fotos que consigam retratar eficientemente a cena rotineira do centro de Brasília. A escolha por fotografar abertamente, muitas vezes explorando grandes áreas com uma variedade de elementos, é feita com o intuito de provocar uma percepçao da cidade rica em detalhes e que consiga efetuar em sua vizualizaçao um sentimento de abrangência em relaçao à vida diária da cidade, o que é muitas vezes passado no perímetro do centro da cidade.

III – Palavras-Chave

Fotografia, Exposiçao, Brasília, Cidade, Moderno, Visual

IV – Introduçao

O motivo de retratar a cidade Brasília como tema da exposiçao aqui apresentada se deve a vários fatores que acabam complementando o objeto de estudo, a própria cidade. É importante notar que apesar de estarmos no centro da cena política brasileira, a cidade nao se esgota nessa funçao. No centro da cidade, onde milhares de pessoas transitam, pegando ônibus, andando pra lá e pra cá, dirigindo seus veículos, podemos observar como os elementos pertencentes ao centro da cidade se integram à própria cidade. Isso é aproveitado também quando o plano do que é proposto se passa em um lugar especial de Brasília, onde pode ser bem observado uma característica inerente da cidade. Uma cidade de linhas limpas e modernas.

A arquitetura de Brasília é um aspecto bastante envolvente no projeto e algo que nos remete à discussao da cidade como um projeto planejado antes de mais nada. Esse fator leva a cidade a interferir diretamente no desenvolvimento cultural e social das pessoas que residem em Brasília por médios a longos períodos. Através desse tema, o projeto enfoca o tema do cotidiano da cidade, desenvolvendo-se em um estudo e aplicaçao dentro da composiçao em artes visuais. Isso se dá através da elaboraçao de um projeto fotográfico, resultante na exposiçao intitulada “Cotidianos De Uma Cidade Planejada”.

Um dos ambitos ao que o projeto se propõe é a realizaçao de uma obra fotográfica que consiga captar momentos e locações da capital, através de uma ótica moderna e atual. Através da qual foi possível retratar cenas que exemplificam a relaçao das pessoas com o espaço urbano em Brasília. Onde foram usados, como soluçao para essa retrataçao, planos gerais da cidade, dentro da estética proposta para o ensaio.

Através de angulos abertos e planos bastante abrangentes, as fotografias resultantes se prestam a passar essa percepçao do que acontece pela cidade. Tanto no cenário noturno quanto durante a luz do dia, capturo situações que através de muitos elementos e detalhes ofereçam uma visao ampla do ritmo da cidade. Imagens que, devido à sua composiçao geral, proporcionem tanto um certo detalhismo, proveniente da alta quantidade de objetos, quanto uma composiçao geral balanceada e harmoniosa. Devido a isso, a mostra traz imagens que proporcionam 2 tempos de observaçao: O geral, onde passamos o olho e conseguimos analisar as linhas principais da imagem, e o detalhado, onde nos perdemos nas imagens, observando os vários elementos constituintes de cada imagem.

 De tal modo, o projeto foi elaborado com o intuito de  apresentar através de imagens, as características da cidade de modo a retratar o tempo presente. Para isso, é proposto trabalharmos com imagens tratadas ou cruas. No  caso, nao me presto a entrar na discussao usual de quanto certo é alterar uma imagem. As imagens tratadas usadas na exposiçao somente contém tratamento de níveis, curvas, entre outros, onde nao pretendemos em momento algum alterar a realidade das imagens, mas sim ajustar as fotografias para uma qualidade final alta no papel fotográfico. E, através disso, conseguir com sucesso o objetivo inicial e principal de toda a proposta: Realizar com sucesso uma exposiçao fotográfica que ofereça uma visao da cidade enquanto espaço público ocupado pela vida cotidiana, resultando em um estudo visual da inserçao e da integraçao que o cidadao sofre junto ao espaço urbano em que vive.

Porém, para a realizaçao da exposiçao almejada, foram  trabalhados nao somente o conteúdo das imagens em si, mas também o modo de compor as fotografias e o jeito de se trabalhar as cenas retratadas. Várias características de uma composiçao avançada e dinamica sao trabalhadas, através de contrastes, saturaçao, cor, entre outros.

Já em relaçao ao propósito dessa temática, me presto a desenvolver um produto que consiga explorar aspectos dinamicos e funcionais da infra-estrutura física e social aqui encontrados. Refletindo cenas das áreas amplas da capital, de modo a relevar seu lado moderno e de linhas e formas limpas, mas sempre em meio ao cotidiano da populaçao a qual o plano urbano está integrado.

Também vejo a necessidade de focar em certos aspectos únicos de Brasília, e outros relacionados ao fato de ela ser uma cidade planejada. Através disso, pretendo valorizar algumas qualidades de Brasília tais como seus amplos espaços vazios, a funcionalidade do modelo de transito, sua estética de linhas limpas e dinamicas, entre outras. É necessário também esclarecer, que a opçao por uma linguagem mais otimista, onde privilegio aspectos positivos e deixo de trabalhar elementos ruins como a periferia e vários outros pontos, é inteiramente pessoal e inerente ao autor, eu, o fotógrafo.

Com isso, espero compor uma mostra fotográfica que nao somente apresente um lado moderno da capital, mas que também abra espaço para um olhar menos retratado em relaçao à essa cidade de tao curta existência. Proporcionando uma visao onde é possível enxergar o estilo de vida e de integraçao à cidade pela qual passa um morador da cidade. Brasília possui quarenta e sete anos apenas, sendo esse fato mais um dos detalhes da cidade, a qual podemos dizer, foi inovadora e corajosa em seus princípios.

Por Brasília ser uma cidade tao nova, é interessante ressaltar que a cidade é enxergada como um cenário com uma concentraçao peculiar das várias culturas do país. Brasília resulta em um cenário onde se pode observar a formaçao e implementaçao cultural e social de um novo povo, que surge e se forma às margens do novo centro político do país. Onde a estrutura física é ordenada, contrastando com o visual natural, e nao planejado que encontramos nas diversas cidades do país.

V – Problema da Pesquisa

Qual seria a melhor maneira de retratar os aspectos propostos a serem focados dentre as várias características encontradas na capital do Brasil? Um dos pontos seria tratar de uma relaçao única encontrada em Brasília. Uma relaçao entre tempo de existência e importancia no cenário socio-político e histórico de nosso país. Como passar uma visao avançada, que retrate o cenário dessa cidade de apenas 47 anos, criada com a importancia e responsibilidade de se tornar o centro político de um país?

Para ilustrar a capital revemos valores, onde prefiro perceber um povo cada vez mais esforçado em levar o país a avanços no cenário mundial, que no dia-a-dia se mantêm promissor, e que batalha para se mostrar mais bem sucedido nos aspectos econômicos e sociais que retratam o Brasil em um cenário mundial. Apesar da periferia ao redor da cidade, o sucesso do centro é proporcional ao contraste entre a pobreza crescente no entorno e o cenário central de Brasília, onde há uma vida quase que artificial, onde as pessoas mantém-se relativamente afastadas dos problemas. Mas apesar da existência dessa realidade, o que é proposto a ser ressaltado na mostra é o próprio cenário do centro, que apesar de afastado fisicamente do entorno, existe com ele uma integraçao, já que a grande massa de cidadaos que circula na cidade durante seus cotidianos sao provenientes de áreas ao redor do centro.

É possível observar durante o ensaio certas imagens com placas do governo local passando mensagens como: “Aqui estamos investindo seus impostos.” Na realidade, é importante notar que essas placas estao espalhadas por várias áreas do DF e nao somente no centro do Plano Piloto. Mas ao serem captadas dentro da mostra, ilustram as promessas existentes no imaginário do cotidiano. Essas e outras imagens fazem parte do ensaio e refletem a proposta do mesmo.

Em anexo se encontra uma de minhas fotografias pertencente a à mostra, onde está retratada a imagem da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira durante a noite. Nela se encontra o que é tratado acima. (RIBEIRO, 2007).

A capital como forma de centro mais favorável a investimentos, implantações de parques tecnológicos ou industriais, mas que, apesar de muitas vezes é negada por escandalos políticos, altas taxas de criminalidade, diferença social e outros, sustenta uma naçao que nao se deixa abater. Esse é um dos argumentos resultantes de todas as discussões e questões filosóficas tratadas ao longo do projeto.

Como transmitir uma imagem perceptível do povo, mas de modo incluído na cidade, dentro do tema que pretende-se trabalhar? Esses cidadaos, que passam a ser trabalhados dentro das telas como motoristas, pedestres, transeuntes, tornam-se tanto perceptíveis em sua presença quanto em sua ausência.

Para um melhor entendimento, o que indico é a presença humana que se nota nas fotografias. Algo que se torna fácil de notar em fotografias diurnas, onde essa presença é grande, e que se faz ausente em várias das fotografias noturnas. Aliás, um ponto de importancia para entendimento da cidade como entidade presente no dia-a-dia dos cidadaos. Mas aqui por ser uma grande cidade, mas nao tao imensa quanto certas metrópoles, isso também acontece, mas pretendi-me nas fotografias a amplificar essa percepçao afim de causar o contraste desejado. Durante o dia, a cidade cheia de energia, com movimento e sua rotina de cidade grande. Durante a noite, onde o movimento cessa, onde percebemos os amplos espaços abertos que trazem em seu ser vazio, uma certa tranquilidade ausente em cidades maiores e mais antigas.

Vale também notar durante as imagens diurnas, algo proporcionado pelos grandes angulos, o cotidiano próprio das pessoas que circulam pelo centro da cidade. Pegando filas para ônibus, atravessando faixas de pedestres, muitas vezes correndo pra lá e pra cá. E o modo com que isso ocorre dentro da cidade. Mas, em que a cidade influi na vida do cidadao?

De outro modo, como retratar a idéia de espaço e arquitetura da cidade em sincronia com a  vida que nela existe? Como mostrar esse lado de modernidade que encontramos inerente à cidade? Para isso devemos trazer à tona a discussao da forma de composiçao, baseado em princípios básicos do estudo das artes visuais, possibilitando diversas soluções e possibilidades de criaçao. Essas questões possibilitam um estudo de composiçao visual, que ao ter sido executado, propõs traduzir esse sentimento de avanço social, urbanístico e tecnológico que iremos ressaltar no aspecto urbano.

VI – Justificativa

O projeto urbanístico singular e inovador de Brasília proporcionou uma base para a o desenvolvimento e evoluçao de uma nova capital, provinda de um modelo novo, de uma metrópole muito mais organizada e limpa. Essa evoluçao, ao ser trabalhada dentro do projeto, propõe-se a retratar de um jeito moderno a capital desse país cada vez mais promissor. Uma capital cujos resultados socio-econômicos sao muito positivos quando analisados em relaçao ao nosso próprio país, e porque nao dizer também, em relaçao ao atual cenário mundial.

MANCHETE: BRASIL ENTRE OS MELHORES. “O povo brasileiro ganha mais, vive mais.” Pela primeira vez, o lançamento mundial do Pnud ocorreu no Brasil, em Brasília. Também pela primeira vez o país ascendeu ao seleto rol das nações de desenvolvimento humano elevado, ao atingir a barreira de 0,8 no IDH que varia de zero a um//Como o relatório nao adotou o recálculo do PIB feito pelo IBGE, o IDH real pode ser maior que 0,800. Além disso, a revisao nos dados da educaçao de 2004/2005 também nao foi usada.

Fonte:  Correio Braziliense – 28.11.2007. pg 18 – MUNDO Tema do dia // Desenvolvimento Humano.

Dentro dessa visao da nossa cidade, produzo um projeto que se realiza com a intençao de contribuir junto a outras representações da cidade já existentes. De mesmo modo em que a proposta principal é realizar uma exposiçao fotográfica, e onde aproveito a oportunidade para agregar a realizaçao de uma memória fotográfica de Brasília, também desenvolvo um projeto onde parto da discussao conceitual sobre fotografia para executar o projeto. Com isso, realizo um trabalho que nao foca a discussao fotográfica em si apesar de bastante pesquisada, mas a realizaçao da mesma. Isso baseado em vários princípios da fotografia mencionados a seguir, ao longo das referências teóricas, metodologia, e conclusao. Pretendo concluir uma obra que tanto agregue sentido à cidade, mas que também sirva como memória fotográfica, e ou base para futuros projetos.

A discussao proposta pelo projeto possibilita tanto notar o plano arquitetônico e visual dos prédios, quanto um plano funcional da cidade em si. Para isso, a exibiçao levará a uma análise de certos movimentos internos da cidade: como a vida se dá nessa intersecçao encontrada dentro do centro urbano, que traz a periferia para dentro da cidade, e onde essa interaçao prolifera num estilo de vida e de relações sociais proveniente do centro da cidade e das aglomerações encontradas rotineiramente na capital. É importante notar que Brasília é comumente percebida como uma cidade sem centro, o que nao é verdade. O centro acaba nao sendo privilegiado como cartao postal da cidade, um dos diferenciais do projeto, já que a obra contém muito do cotidiano local. Encontro de culturas, espaço da politica, monumentos, funcionários públicos, entre tantos outros.

Diante da possibilidade de trabalhar a cidade como tema, podemos retratar uma Brasília de várias facetas. Uma cidade de muitos, como de poucos; espaços vazios e de difícil acesso ou conglomerações; o modo como o cenário político se transforma ao ser tomado pelas pessoas que transitam em seu cotidiano; como se dá a manutençao e renovaçao de infra-estrutura da própria cidade, dentre outros.

VII – Objetivos



O objetivo gerador desse estudo em comunicaçao é montar uma exibiçao fotográfica, induzida pelo visual moderno de formas projetadas e ocupadas pela populaçao urbana. Para isso, devemos relacionar certas influências à forma de compor o “Fotografar de uma cidade”. Para a execuçao da obra foi feito um planejamento considerando diversos aspectos, como por exemplo: qual o melhor modo de fotografar em Brasília, atendendo à proposta do estudo? Como tratar as cenas a serem retratadas de modo a complementar a dinamica entre formas e elementos das fotografias? Em consequência, um dos desafios de nossa proposta foi criar uma obra tomada por composições dinamicas e harmônicas.

Através de uma composiçao elaborada a partir de planos gerais, enfatizo vários aspectos dentro da cidade, como velocidade, vida urbana, tecnologia, tumulto, trabalho, transito entre vários outros, de modo a desenvolver o tema Cidade.

Um outro objetivo do projeto, é desenvolver um estudo que possibilite um resgate da memória de nossa cidade através de uma perspectiva otimista, que privilegie aspectos positivos e de uma estética de qualidade. Além de desenvolver um projeto que estimule futuros ensaios fotográficos da minha parte e leve à realizaçao de uma exibiçao fotográfica.

VIII – Referencial Teórico

 

A fim de embasar o estudo foram utilizadas várias referências relacionadas à elaboraçao de elementos visuais e gráficos, referências tanto teóricas quanto práticas e outras mostras fotográficas que ajudaram a basear as propostas do estudo. Essa pesquisa envolveu a análise de inúmeros artistas, desde pintores a fotógrafos.

Inicialmente pode-se perguntar o porquê da análise de pintores, já que a proposta é inteiramente fotográfica e nao se propõe a alterar as imagens retratadas com montagens, cortes e outras técnicas que diminuem a veracidade de uma fotografia. Bom, o estudo de vários artistas desde pintores clássicos a pintores mais modernos envolve a análise de vários elementos que também se mostram presentes na fotografia. Luz e sombra como elemento é um exemplo, também temos perspectiva, contrastes entre elementos componentes da tela trabalhada, entre outros. Uma análise de inúmeros artistas ao se propor uma realizaçao e execuçao de projetos semelhates, é útil para desenvolver no executante uma certa inspiraçao, mas também um conhecimento do que já foi elaborado através da história humana, fatos que podem ajudar na captaçao de idéias relacionadas ao projeto em questao.

Dentre os pintores vistos e analisados, um que se relaciona com maior pertinência ao projeto é Lawrence Stephen Lowry, pintor inglês que viveu entre 1887 e 1976 . Em sua obra, o pintor trata de cenas do cotidiano de sua época, retratando situações muito abrangentes, com uma quantidade muito grande de pessoas ocupando o espaço urbano. Nos seus quadros, Lowry retrata pessoas utilizando o parque durante o fim da tarde, transeuntes e passantes na praça principal, trabalhadores no início do expediente a entrar nas fábricas, crianças a caminho da escola. Por essa semelhança à proposta da minha obra, é um referencial bastante importante nos estudos iniciais do que fotografar, e de como passar a idéia a que eu me propunha de representar a cidade a partir da movimentaçao da populaçao dentro do espaço urbano. Uma ótima aplicaçao dessa informaçao se dá quando observamos a obra do fotógrafo Augusto Malta. Se trata de uma obra dos tempos iniciais da fotografia antiga, onde é retratado algo que de mesmo modo, por Lowry, fora retratado por pincel e tinta.

Duas imagens de Lowry estao em anexo para análise, “The Pond” de 1950 e “Industrial Scene” de 1965. Ambas servem para exemplificar a semelhança entre as soluções achadas para se retratar uma cidade e seu povo. Também é possível observar que foi encontrado modos similares de enfrentar uma proposta parecida. Observamos Lawrence Lowry em um primeiro estágio, onde foi utilizado a pintura, Augusto Malta no segundo estágio, nos primórdios da fotografia e a mostra Cotidianos de uma Cidade Planejada, feita em digital.

Fonte:  www.btinternet.com/~kevplees/lsl.html

             http://en.wikipedia.org/wiki/L._S._Lowry

 

Já na área da fotografia, vale a pena exemplificar mais de um fotógrafo dos quais ajudaram a embasar tanto o estudo e discussao quanto a composiçao e formaçao das fotografias em si.

Rapidamente menciono Rinaldo Morelli e Marcelo Feijó, a quem sou muito grato por terem me aberto os olhos para o mundo da fotografia durante aulas que tive com ambos no período de faculdade. Tratarei dos dois posteriormente, já que ambos servem como inspiraçao através de imagens captadas pelos mesmos, mas principalmente por seus trabalhos acadêmicos, os quais baseiam com grande importancia o referencial teórico e metodológico do trabalho desenvolvido por mim. Suas obras acadêmicas proporcionaram uma base fundamental para o entendimento da fotografia, seus valores e princípios.

Na parte visual, onde o que me valho para somar aos estudos deste projeto é a qualidade e a técnica de execuçao fotográfica, destaco as obras de Cristiano Mascaro e Augusto Malta, com excelentes trabalhos na retrataçao de uma cidade. Ambos autores trabalham em suas imagens a cidade como entidade, e, embora cada um de seu modo particular, retratam cidades específicas com muita qualidade tanto na execuçao das fotos quanto no planejamento das mesmas.

Em pesquisa na Biblioteca da UnB, puderam ser analisadas várias obras que serviriam tanto para estudarmos as situações quanto para planejarmos as fotografias. A internet também tornou-se um meio de facilitar o acesso a inúmeras obras a fim de diversificar a discussao.

Fonte: (LIMA, 2004, 1997).

(MORELLI, 2000).

www.rinaldomorelli.com

www.fotoartebrasilia.com.br/site2007/pt//index.php?secao=secoes.php&sc=2&sub=MA==&url=pg_artistas.php&id=214

www.imafotogaleria.com.br/galeria/fotografo.php?cdFotografo=26

www.almacarioca.com.br/malta.htm

Devido à análise das fotos de tais autores, resultaram várias questões relacionadas a retrataçao de uma cidade e de como elas seriam desenvolvidas na exibiçao proposta por este projeto. É possível se fotografar uma cidade explorando inúmeros aspectos, dentre os quais puderam ser observados e analisados nas obras comentadas acima, privilegiando os espaços abertos, o movimento dentro da cidade, os aspectos arquitetônicos, dentre muitos outros.

Nas imagens de Lowry em anexo tanto quanto nas fotos de Augusto Malta, tamém em anexo, podem ser observadas uma mesma soluçao para retratar os amplos espaços. Portanto, ao análisá-los como referência, temos três técnicas diferentes, apesar de soluções similares. É claro, à sua posiçao na linha do tempo. Pintura, início da fotografia analógica e a fotografia digital de hoje em dia.

As duas imagens de Augusto Malta que encontram-se em anexo sao “Praça 11” e “Praça da República”. Ambas ilustram os angulos abertos de referência à retrataçao de Brasília em algumas cenas de Cotidianos de uma cidade planejada.

Fonte:  ww.almacarioca.com.br/malta.htm

O aspecto visual desejado nas imagens pertencentes à exposiçao “Cotidianos de uma cidade planejada” é de que a cidade esteja presente como elemento importante e principal, mas que a mesma seja composta e analisada do ponto de vista do cidadao. Ou seja, as imagens capturadas têm em seu estilo maior a apresentaçao de angulos abertos, configuraçao mais confortável para retratar prédios e cenários urbanos amplos. De mesmo modo, ao utilizar angulos abrangentes, geramos na imagem uma incidência de muitos detalhes, formando imagens de um todo, mas que se elaboram pela representaçao de muitos elementos, que testemunham simultaneamente a fragmentaçao da cidade e uma visao de conjunto da vida coletiva anônima e urbana.

É bom dizer também que nao há obrigaçao em todas imagens de trabalhar a mesma angulaçao e composiçao de elementos. Há sim algumas imagens que enquadram certos detalhes como placas, ou pessoas, mas em relaçao ao todo da proposta, elas sao minoria. Nao porque sao de menor importancia, mas porque se tratam de detalhes que de mesmo modo, também devem ser trabalhados para enriquecer o projeto fotográfico, e discutir de modo complementar a idéia do cotidiano brasiliense.

Dessa maneira, relaciono o tipo de composiçao trabalhada por mim nesse projeto de semelhança maior com o trabalho de Augusto Malta no início do século XX, que também encontrou como soluçao para a retrataçao de uma cidade os angulos mais abertos, que proporcionam uma maior captura dos planos urbanos e de seu conteúdo.

Já Cristiano Mascaro, considerado um dos mais importantes fotógrafos da arquitetura da capital paulista, serviu nesse projeto como um referencial de técnica de execuçao, composiçao e enquadramento. Seu trabalho, bastante extenso, apesar de sua maioria P&B, é um exemplo da fotografia pensada, planejada e bem executada. Logo, ao retratar a cidade de Brasília com o embasamento visual comentado, espelho-me nos grandes artistas para desenvolver fotografias de qualidade, almejando uma estética bem executada e de qualidade.

Por isso, essa execuçao de imagens acima de tudo envolveu  também uma pesquisa e um estudo dos trabalhos teóricos relacionados à formaçao da imagem. Para tanto, a leitura de autores como Rudolf Arnheim, Irwin Edman, e John Taylor proporcionaram o embasamento mais teórico que o projeto envolveu, trazendo técnicas de composiçao e discussões filosófico-teóricas pertinentes. Esses autores foram muito importantes no fundamento teórico e no fundamento da imagem trabalhados na realizaçao do ensaio e da exposiçao.

 Em seus livros, Arnheim estabelece várias relações de equilíbrio, de harmonia na utilizaçao dos espaços em uma tela, dentre conceitos de composiçao. Por exemplo, sao tratados formas de se dinamizar uma imagem, com composições que tragam uma maior sensaçao de velocidade e movimento, ou a utilizaçao de certos padrões para trazer à imagem aparências estáticas ou que tragam ambiguidade nessa aparência, onde algo está estático, mas na verdade parece nao estar, por exemplo.

Graças a esse estudo teórico, que nao trata de imagens e da parte final da imagem, mas foca a parte pré-execuçao da imagem, foi possível tomar consciência do desenvolvimento das imagens, pois uma boa fundamentaçao e bagagem teórica realmente fazem muita diferença na hora de se apertar o gatilho da máquina fotográfica. Um ponto de importancia relevante em relaçao aos autores é exatamente a criaçao de um referencial. Tanto quanto fazemos na publicidade, onde o pessoal da criaçao está sempre conferindo anuários, catálogos, na fotografia também é importante conferir o que os outros fazem de melhor. Isso poderia até ser mencionado como um certo benchmarking mas na realidade é de uma importancia distinta. A seleçao e análise do trabalho de autores como os pesquisados nos proporciona um referencial do que é possível realizar, e nos permite desenvolver e planejar outras técnicas e soluções em nossa parte prática.

Já em outro ambito, o livro de Allen Hurlburt serviu de guia na técnica de compor de forma limpa e bem resolvida, apesar de nao tratar exatamente da criaçao de imagens em si. É um livro muito bom cujo fundamento é implementar as técnicas de layout, nao podendo eu deixar de fazer uma analogia aqui do layout com a formaçao de imagens através da fotografia. O princípio é parecido. A primeira estancia, temos à mao, ou em nossa mente, um espaço determinado o qual iremos preencher. Entao o estudo se torna válido a partir do momento em que devemos preencher esse espaço com informações que podemos vizualizar no momento de diagramaçao, disposiçao.

Em seu livro, além de tratar os vários aspectos de um layout, como tipografia, imagem, composiçao, Hurlburt inicia com uma passagem pelos vários movimentos artísticos expressivos da história. Isso é bastante interessante porque tanto abre a percepçao para vários estilos dentre os movimentos, quanto nos prepara para o segundo momento do livro, sendo esse a discussao das várias técnicas de composiçao de um layout ou projeto gráfico, visual. É interessante dizer que devido à introduçao onde podemos observar vários diferentes estilos e aplicações de técnicas, o livro proporciona um desenvolvimento de idéias progressivo do desenvolvimento dos vários estilos ao longo da história. Sendo de muito boa inspiraçao no momento mais inicial de um projeto, onde procuramos o estilo ou tendência que será o referencial estético da obra.

É interessante também analisar um outro estudo que nao pertence à área da comunicaçao. Cito em meu trabalho Martin Heidegger, importante filósofo alemao, responsável pelo desenvolvimento do existencialismo, da hermenêutica, da desconstruçao, com forte repercussao no pós-modernismo e na filosofia ocidental em geral, porque um tópico bastante importante de seu trabalho “Ser e Tempo” é a instrumentalidade.

Nesse ponto, é relevante a definiçao de Heidegger sobre as relações que o instrumento tem com o ser a quem ele pertence, e também com todos os elementos relacionados a ambos, e que os circundam, constituindo a Circunvisao. Para exemplificar essa idéia, vamos analisar a relaçao de uma caneta com seu dono. Uma caneta (instrumento) é o elemento que liga o autor (ser a quem ela pertence) à obra escrita pelo mesmo, portanto, esses elementos estao relacionados entre si, do mesmo modo que a escrivaninha onde a obra é escrita, a luminária que ilumina, o quarto onde estao todos esses elementos, entre outros. Essas relações definem a circunvisao. Portanto, o instrumento, ao falhar, pode ser o motivo de interrupçao da obra na qual o autor está inserido. Se o autor está escrevendo e a tinta acaba, ele é obrigado instantaneamente a interromper seu trabalho. Sendo entao o instrumento o responsável, no caso, por prejudicar seu ser pertencente.

Bom, e o que isso nos adiciona em nosso estudo fotográfico? De mesmo modo que a caneta para o escritor, temos essa mesma relaçao de instrumentalidade dentro da fotografia. A máquina fotográfica é para o fotógrafo, o instrumento para a execuçao de seus trabalhos. Sem a máquina fotográfica ele nao é fotógrafo, é apenas mais uma pessoa com uma visao singular da realidade, nao mais sendo capaz de capturar a realidade em instantes e eternizar esses mesmos instantes em fotografias.

Essa relaçao de instrumentalidade é muito interessante dentro de todo o processo, e dentro da circunvisao, todos os elementos circundates a nós estabelecem relações de trocas e influências entre si. Isso pode ser observado, e deve ser analisado nas saidas de campo. Muitas vezes ao fotografar, somos interrompidos ou temos nosso modo de ver as coisas influenciados por elementos externos ou por elementos previstos e utilizados por nós mesmos.

Dentre os que posso relatar que fizeram parte da minha experiência, há os cartões de memória, que ao se preencherem completamente nao possibilitam ao fotógrafo mais clicar, interrompendo o processo fotográfico de modo semelhante a acabarem-se os rolos de filme. Também há o término de energia, que nas máquinas digitais é essencial, na forma de baterias. Houve um caso onde estava fotografando, e a bateria se esgotou. O trabalho havia sido interropido, mas apenas temporariamente, já que carrego bateria reserva de mesma capacidade sempre.

Nos casos relatados, houveram interrupções permanentes ou temporárias, mas de mesmo modo que a execuçao da obra foi interrompida, interrompendo-se entao o raciocínio desenvolvido no momento. Também há interrupções que nao provém dos instrumentos, mas da natureza. Cito como exemplo o fechar do tempo, no qual estamos fotografando com uma boa iluminaçao e o céu começa a nublar e ao ficar todo cheio de nuvens, anula a iluminaçao necessária, tornando impossível fotografar do modo proposto.




É interessante trazer esse tipo de discussao para o projeto porque penso que tendemos em geral nas artes visuais a nos concentrar na parte mais interessante e prática tanto da execuçao quanto da análise dos produtos finais de todo o processo. Que constitui aquilo que é bom de ver, que nos preenche os olhos e desenvolve a vontade de querer ver mais e mais obras.

É claro que essa é a parte mais impactante da obra fotográfica, mas de mesmo modo também é importante a discussao filosófica da fotografia.

IX – Metodologia

Para o desenvolvimento do projeto foi necessário a criaçao de uma metodologia que guiasse as diversas etapas que o envolveram. Dividi esse planejamento realizado durante o projeto em oito etapas a fim de exemplificar melhor e ter uma explicaçao mais definida.

Primeiramente, foi necessário definir os estudos que viriam a fundamentar a realizaçao da obra, analisando os vários autores de assuntos relacionados à pesquisa teórica e à pesquisa visual. Houve uma definiçao inicial de autores que iriam guiar nossa pesquisa, e consequentemente, a obtençao de tais obras para seu estudo. Apesar de estabelecida no início do trabalho, essa definiçao e obtençao de obras fundamentais para o diálogo e discussao de teorias, técnicas e referências aconteceu durante toda a realizaçao do projeto, já que várias idéias foram sendo inseridas e selecionadas durante a execuçao do mesmo.

Em seguida à definiçao dos princípios que norteariam o trabalho, deu-se o planejamento que definiria as locações a serem retratadas. Para isso foi necessário por várias vezes dirigir pela cidade atrás de elementos e formas que seriam válidas para a execuçao do projeto proposto. Nesse ponto cito a minha facilidade de me movimentar pela cidade e o conhecimento da mesma como uma vantagem enorme dentro do processo, já que nasci em Brasília e vivi aqui a minha vida toda, com exceçao de aproximadamente 2 anos e meio durante os anos de 2003 e 2006 onde residi nos Estados Unidos.

Na terceira etapa, aconteceu o planejamento das saídas de campo em relaçao a dias e horários em que elas se dariam. Essa etapa foi pensada e definida levando em conta a iluminaçao durante os horários, tanto em relaçao às fotos diurnas quanto às noturnas.

No caso das fotos diurnas, tentamos escapar do sol muito forte, como a luz de pico que ocorre às horas circundantes do meio-dia. Mas nem sempre foi possível escapar de tais horários, sendo que foram nesses horários onde pôde ser encontrado uma maior concentraçao de pessoas no centro da cidade, e um movimento elevado de multidões. Além disso, também houve a preocupaçao de se planejar e portanto esperar dias onde o céu estaria claro, proporcionando uma luz limpa e clara, em oposiçao à luz insuficiente de dias nublados, onde o que prevalece sao fotos acinzentadas e com uma iluminaçao de qualidade bastante inferior.

Já nas fotografias noturnas, foi necessário levar em consideraçao também os dias de céu limpo, mas pelo motivo oposto. Na realidade há uma facilidade em se fotografar durante noites com nuvens brancas, quando o tempo nao está carregado e o céu nao se encontra totalmente limpo. Isso se deve ao fato de que em noites como essas, as nuvens acabam refletindo e rebatendo parte da luz produzida pela cidade, complementando pouco, mas de modo perceptível a iluminaçao das fotografias noturnas. Outro ponto de qualidade nas fotografias noturnas foi fotografar em noites de lua cheia, onde o que temos é a reflexao da luz do sol pela lua incidindo diretamente sobre a cidade, provocando uma luz complementar muito boa. O único problema é quando em noites de lua cheia o céu se encontra muito nublado, cortando  portanto, essa luz refletida do sol.

Após a realizaçao das fotos, chegamos a uma quarta etapa. A classificaçao e  a seleçao das fotografias que serviriam para nossa exposiçao. É importante notar que durante as etapas foram feitas várias reuniões com a minha orientadora, a fim de guiar o projeto e avaliar se a produçao estava gerando resultados.

Na quinta etapa começamos a nos aproximar do fechamento do projeto. Trata-se da seleçao mais criteriosa das imagens e iniciou-se o tratamento delas para finalizaçao do ensaio. No caso da minha exposiçao, nao tive o intuito de em momento algum alterar imagens e desenvolver um produto que nao refletisse as fotografias reais e verdadeiras provenientes da realidade original. Portanto, o tratamento das imagens geradas limita-se a regulagem de curvas, níveis, eliminaçao de alguma sujeira que pudesse interferir na imagem, correçao de contraste ou de cor predominante a fim de se ter uma imagem final de melhor qualidade estética.

A sexta etapa do projeto foi o fechamento das imagens que iriam para a exposiçao final, e a execuçao de suas ampliações. Essa etapa dividiu-se em dois itens, sendo o primeiro a produçao de reduções para análise das versões finais de todas imagens, e a segunda, a realizaçao das ampliações finais que serao expostas.

A sétima etapa, apesar dela nao necessariamente ser desenvolvida após as outras etapas foi a realizaçao do texto que acompanharia a obra. Ou seja, a memória da obra, sendo esta a que está sendo lida pelo leitor. Ela trata de todas as discussões, diálogos, fundamentos e propostas as quais a exposiçao se propõe. A memória da obra 'Cotidianos de uma cidade planejada' foi  realizada dentro dos parametros definidos pela Faculdade de Comunicaçao da Universidade de Brasília, de forma a relatar todos os procedimentos até que se cumprisse o objetivo último de realizar um ensaio fotográfico a ser apresentado em um CD/DVD e em uma exposiçao no Carpe Diem Restaurante da 104 Sul em dezembro de 2007 e em janeiro de 2008 na biblioteca da UnB. Por fim, chegamos à última etapa, que reúne tanto a entrega da memória quanto o projeto visual e todas as fotografias pertencentes a exposiçao à faculdade, e o principal, a realizaçao da exposiçao no espaço conseguido para a mesma.

No caso da exposiçao 'Cotidianos de uma cidade planejada' o objetivo principal era a realizaçao de uma exposiçao sobre o tema proposto, mas ao completar esse estágio do projeto, se fez necessário outros elementos de comunicaçao adicionais. Foi necessário criar um sistema de apresentaçao interno do CD/DVD contendo uma introduçao e um menu de vizualizaçao da mostra. Para isso realizou-se uma parceria com a empresa Invisual LTDA. onde a mesma possibilitou apoio ao nosso projeto. Também é necessário tomar nota do processo realizado para a finalizaçao e a realizaçao da exposiçao.

Após todo o processo de planejamento, pesquisa, saídas, tratamento de imagens, o projeto chegou ao estágio final. Todas imagens já estavam prontas, e a parte escrita da obra também já se encontrava em finalizaçao. Daí em diante, realizou-se a ampliaçao das imagens em tamanhos reduzidos possibilitando a vizualizaçao de 4 imagens dentro de  uma folha 20x30cm. Essas reduções foram realizadas tanto para prova quanto para a seleçao final de quais imagens iriam para as ampliações finais.

Para o processo das ampliações finais foi realizado um encontro com outro apoiador do projeto, a empresa Central Vidros & Molduras, que proporcionou o serviço em relaçao à emolduraçao das ampliações. Para os quadros, foi selecionado o estilo com bordas finas e pretas, e entre a moldura e as imagens uma aplicaçao de paspatu para fazer a separaçao. Esse visual foi aplicado com o intuito de proporcionar uma estética limpa e sóbria à mostra, centrando a atençao às imagens e fixando o olhar do público. O terceiro apoiador do projeto e de elevada importancia foi o que proporcionou o espaço da exposiçao. O Carpe Diem Restaurante, grande apoiador da iniciativa cultural, foi escolhido como local para a abertura da exposiçao, recebendo a mostra 'Cotidianos de uma cidade planejada' durante os dias de seis a treze de dezembro de 2007. Também é importante dizer que já foi reservado uma data para a exposiçao da mostra na própria instituiçao da UnB, tendo sido arranjado para a mostra ser exposta na galeria da BCE durante a segunda quinzena de janeiro de 2008.

X – Conclusões

Devido à diferença de idade entre Brasília e outras cidades, mas principalmente, por ser uma cidade com sua construçao planejada e todo um estudo e projeto urbanístico, temos um espaço que possibilita um estudo de imagens e formas arquitetônicas visualmente avançado. Ao mesmo tempo, encontramos um espaço fértil à execuçao de uma proposta visual que consiga passar uma perspectiva avançada e positiva da cidade.

Dentro dessa perspectiva foram buscados e desenvolvidos alguns pensamentos acerca do mundo fotográfico. Desde algumas reflexões sobre os modos de fotografar, até a execuçao do ensaio, que partiu da comparaçao de inúmeros trabalhos fotográficos e da pesquisa de várias tendências e estilos de se retratar a realidade.

Como mencionei mais cedo, encontrei nas teses dos professores Marcelo Feijó e Rinaldo Morelli o que ainda nao havia encontrado em lugar algum. Definições e discussões que tratavam o todo fotográfico e conseguiam reunir com sucesso várias das questões relacionadas, sendo por mim considerados como trabalhos de importante referência para o estudo fotográfico.

Apesar de eu nao me propor em momento algum dentro de meu projeto a travar a discussao “analógico vs. digital”, é válido a análise de alguns pontos os quais a tese de Feijó trata, já que todas as fotos da minha exposiçao foram executadas com uma camera digital. A minha máquina, que usei no projeto e já utilizo desde o ano de 2004, trata-se de uma Sony DSC-F828, de 8 megapixels, com lentes Carl Zeiss de 28mm – 200m, a qual sou apaixonado e considero excelente, considerando do mesmo nível de qualquer reflex digital por sua lente poderosa e seu super HAD CCD, que trabalha nao em 3, mas em 4 cores, RGBE (red, green, blue, emerald).

Em minha opniao pessoal, sempre achei as discussões iniciais sobre análogico e digital na fotografia totalmente infundadas e provenientes de pensamentos temerosos à novas tecnologias. Porém, o que encontramos tanto na tese de Morelli e de Feijó, sao análises e discussões que realmente desenvolvem um raciocínio que se propõe a somar, e de fundamentaçao acadêmica muito boa. Abaixo reservei espaço para um trecho da tese Fotografia (e o) Digital: Paradoxos poéticos, de Marcelo Feijó.

“surge o paradoxo da fotografia digital; isto é a aparente incomunicabilidade entre os territórios da fotografia e das tecnologias digitais, o que possibilita o surgimento de um novo olhar fotográfico, resultante e produtor de imagens de conformaçao híbridas, a um só tempo devedoras do padrao fotográfico estabelecido pela camara escura e lançadas num universo de possibilidades virtuais.” (LIMA, 1997, p. 02).

Em relaçao a isso, destaco o fato de muitas perguntas formuladas durante a fase inicial da fotografia digital terem sido solucionadas através do avanço tecnológico. Mas ainda há algumas perguntas que se mantêm pertinentes, como por exemplo: Como as novas tecnologias estariam alterando a percepçao do “leitor” de imagens? Como estariam alterando os princípios e finalidades da imagem fotográfica? Onde e quanto a fotografia digital ajudou no processo devido à versatilidade de seu formato? É bom ressaltar, é claro, que a fotografia digital possibilita um melhoramento da qualidade técnica das imagens, além de várias outras dentro das intervenções digitais, o que contribuiu para o desenvolvimento de meus objetivos.

Relaciono a isso o fato de que hoje em dia até leigos em artes visuais reagem instantaneamente ao estranhamento da ediçao digital. Um comentário que exemplifica isso de modo atual se passou durante o escandalo com o Presidente do Senado Federal, Renan Calheiros. No mês de setembro de 2007, a Playboy trazia em sua capa Mônica Veloso, amante de Renan, envolvida no escandalo. E o comentário foi de um deputado, que exclamou ao comprar a revista em seu lançamento. “Essa playboy está um absurdo!!! De photoshop”. Um tanto triste, porque as alterações realizadas nas fotografias da Mônica estavam um tanto malfeitas e bem perceptíveis.

É bom ressaltar que o projeto tem como um de seus princípios a opcçao de nao intervençao na imagem fora dos objetivos de retoque e melhoria técnica, sem forjar outra realidade nao vista ao fotografar.

Retomando o assunto de nosso estudo, abordo outra reflexao provinda da obra de Feijó. Ele nos coloca três possibilidades de enxergar a fotografia e a realidade. Enxergo essas definições, além de suas explicações, como relacionadas ao tempo da fotografia. Em um primeiro momento a fotografia surge como captura da realidade, como o espelho do real. Depois quando passa a ser trabalhada artisticamente, no século XX, ela atinge o espaço do imaginário, ganhando força como uma desconstruçao do real, uma transformaçao do real. Já em um terceiro momento a fotografia passa a ser trabalhada como um traço do real, onde a foto mesmo alterada, sempre é em parte real, porque na sua gênese ela surge da emanaçao do referente - reflexao de Philippe Dubois em seu livro O ato fotográfico.

É nesse terceiro momento em que alinho minha obra, já que o intuito das imagens era retratar a realidade como ela é, exatamente como no primeiro momento acima. Mas ela passa a figurar a terceira definiçao porque no tratamento digital das fotografias, utilizo certos ajustes para levar a imagem ao desejado, porém nao alterando a realidade inerente às fotos.

Nao posso deixar de analisar o processo que realizei na captaçao das imagens para a exposiçao, pois em digital nao gastamos filmes nem perdemos tempo trocando rolos de filmes quando temos um cartao de memória de alta capacidade. E também, na impressao digital, nao se utiliza mais as etapas de revelaçao de negativos, onde vários líquidos reveladores eram gastos no processo. No meio digital, nao deixa de existir o processo onde a luz emana do objeto ou ser que é registrado em uma superfície sensível num processo sem interferência direta da mao do homem. Cabe dizer que após o enquadramento, a tecnologia de registro da imagem é considerada como uma intervençao, se desvencilhando da mao do homem. O processo consegue tornar essa captaçao de luz uma impressao elétrica e nao mais química. Um modo renovável, onde um mesmo CCD (charged-coupled device), ou Dispositivo de Carga Acoplado, que é o sensor que pode absorver e gravar infinitas imagens através da eletricidade, carga elétrica. Infinitas porque as informações sao apagadas e regravadas no mesmo cartao vezes após vezes, com o único gasto de eletricidade.

Na tese de Rinaldo Morelli, encontro apoio para afirmar que o momento no qual nos encontramos proporciona uma nova realidade, onde através do avanço tecnológico passamos a ter uma imagem resultante de informações numéricas, e nao mais um produto de um processo físico-químico. Citando o mesmo autor quanto ao digital temos:

“Com o digital permeando o processo fotográfico, a imagem mantém sua gênese indicial, mas transforma-se com grande potencial de metamorfose, ao ponto de restar apenas a certeza de que algo, algum objeto, em algum momento, esteve diante da camera.” (MORELLI, 2000, p. 04).

“É claro que uma inovaçao tecnológica traz impactos na linguagem e a fotografia está sendo enriquecida pelas novas possibilidades que ora experimenta. Há uma ampliaçao de horizontes, e neste caso, a manipuliaçao digital é aliada e cúmplice”. (MORELLI, 2000, p. 08).

A imagem fotográfica mergulha no universo digital sem perder duas de suas características: Sua ligaçao indicial com o referente e sua gênese, onde a imagem é formada por projeçao de raios de luz captados do real. A fotografia sempre é uma interpretaçao do real, uma vez que sua produçao é intermediada por seu autor, o fotógrafo.



Agora, em relaçao à proposta de minha obra, procurei desenvolver o valor da obra como memória de Brasília, já que a exposiçao tem em seu princípio reunir várias imagens do cotidiano da cidade. O processo fotográfico teve no registro de um referente real o seu principal pilar para a formaçao das imagens reunidas.

Através da fotografia conseguimos manter momentos capturados no tempo. Embora nao saibamos como será feito o resgate de nossa história no futuro, essas fotografias se tornam fragmentos de memória da história do ser humano, da história de uma cidade e da minha própria história enquanto fotógrafo em busca de uma representaçao de Brasília fiel aos meus objetivos.

No conceito da formaçao de imagens, chego a conclusao de que a gênese da imagem é de caráter indicial, que nao acontece sem referentes e sem luz. De acordo com Morelli, devido à objetividade do processo fotográfico, onde há  uma 'automaçao' na formaçao da imagem, desenvolveu-se  uma crença de que o testemunho fotográfico implica em uma verdade retratada. Mas a verdade é essa só quando relacionada à propostas bem intencionadas, excluindo aquelas que alteram a perspectiva da realidade sem fazê-lo notar, portanto, enganando aquele que vê. Já a corrente de pensamento mais moderna, e que se propõe a trabalhar a fotografia de modo mais amplo e desprendido de discussões muitas vezes intransigentes, é a que coloca a 'Fotografia como traço da realidade'.

Na minha opniao é essa a fotografia que mais abre as possibilidades e permite uma enorme abrangência à criaçao artística e filosófica capturada em uma imagem. Nessa fotografia contemporanea nao há mais a defesa de um valor absoluto, como a questao da semelhança, do espelho do real, nem a percepçao da fotografia como uma formaçao do real. Apesar dessas possibilidades, elas nao restringem o mundo fotográfico pois sao técnicas que somam e nao substituem os valores na fotografia. Os meios digitais que nos proporcionam trabalhar o visual no mundo de hoje, possibilitam infinitas opções e configurações afim de facilitar e modernizar o trabalho. Podendo e sendo utilizadas para melhorar os tipos de trabalhos existentes antes de tais tecnologias e que nao deixam de existir devido a novos meios. Pessoalmente, acredito que essa evoluçao dos meios deveria ser sempre bem aceita e esperada, evitando preconceitos e aproveitando os avanços tecnológicos para sempre melhorar as técnicas e execuções no universo do visual.

XI – Referência Bibliográfica

ARNHEIM, Rudolf. (1956) Art and visual perception: A psychology of the creative eye. London: Faber & Faber

ARNHEIM, Rudolf. (1988) The power of the center. The new version. A study of composition in the visual arts. Berkeley: UC Press.

AUGÉ, Marc. (1978) Construçao do mundo: Religiao, representações, ideologia (a). Lisboa: Ed 70

EDMAN, Irwin. (1969) Arts and the man: A short introduction to aesthetics. New York: W. W. Norton.

HEIDEGGER, Martin. (1927) Sein und Zeit. Alemanha, Tubingen: M Niemeyer.

HERMUCHE, Wagner. (ed.) (2003) Abstrata Brasília Concreta. Sao Paulo: Medialecom.

HURLBURT, Allen. (1977) Layout: The design of the printed page. New York: Watson-Guptill Publications.

LE CORBUSIER, Pseud de Charles; JEANNERET, Pierre. (1966) Complete architectural works (the). London: Thames & Hudson.

LIMA, Marcelo. (2004) Fotografia, memória e o imaginário das cidades. Brasília: Tese (Doutorado) Universidade de Brasília.

LIMA, Marcelo. (1997) Fotografia (e o) digital: Paradoxos poéticos. Tese (Mestrado) Universidade de Brasília.

MALTA, Augusto. (194-) Fotografias do Rio de ontem. Rio de Janeiro: Pref Cidade.

METALLINOS, Nikos. (1995) Compositional factors in the study of visual images and their application to television. Montreal: Concordia University.

MORELLI, Rinaldo. (2000) Fotografia: Valores revistos, horizontes ampliados.  Brasília: Tese (Mestrado) Universidade de Brasília.

NIEMEYER, Oscar. (1978) A forma na arquitetura. Rio de Janeiro: Avenir.

TAYLOR, John. (1964) Design and expression in the visual arts. New York: Dover Publications.

XI.I – Referência específica - Internet

Lee Gallery – Fine 19th and 20th Century Photographs. Winchester. http://www.leegallery.com

Íma Foto Galeria - Rua Fradique Coutinho, 1239. Sao Paulo. http://www.imafotogaleria.com.br

Profotos.com. Fairborn, Ohio – USA. http://www.profotos.com

Wikipedia – The Free Encyclopedia. Wikimedia Foundation Inc. – USA. http://www.wikipedia.org

XII – Anexos

Industrial Scene(1965) – Lawrence S. Lowry

Industrial Scene(1965) – Lawrence S. Lowry

Praça 11– Augusto Malta

Praça da República – Augusto Malta

Fotografia integrante da exposiçao Cotidianos de uma cidade planejada

(2007) - André Ribeiro








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